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terça-feira, fevereiro 03, 2015

Futebol Brasileiro precisa da paixão dos "Valdomiros"

Ao final da vitória contra a Ponte Preta, em pleno Moisés Lucarelli, na abertura do Campeonato Paulista, o zagueiro Valdomiro, da gloriosa Portuguesa de Desportos, foi direto na garganta do presidente do clube, Ilídio Lico: “É omisso, não aparece no CT. Estamos há sete meses sem receber os salários. Jogo porque amo esta camisa”.
 
Valdomiro, um atleta que muito tem se esforçado para permanecer trabalhando, que vem se recuperando de séria contusão, mostrou uma fiel radiografia do atual futebol brasileiro, que, a cada momento, aumenta a nossa vergonha da inesquecível goleada contra a Alemanha na Copa do Mundo
.
Primeiro ele, o próprio Valdomiro. Um lutador, no sentido literal, uma vez que foi boxeador antes de se arriscar no futebol. Passou por Santo André, Flamengo e Palmeiras.
 
Sofreu cirurgia nos dois joelhos e ficou de fora da lamentável campanha da Lusa em 2014.
 
Voltou agora, para defender as cores rubro-negras da Portuguesa, sem receber um centavo há sete meses. E estava lá, aos 45 minutos do segundo tempo, para arrancar uma grande vitória contra a Ponte Preta, franca favorita na partida.

 
Valdomiro é o símbolo do jogador médio brasileiro, que não recebe grandes salários, que briga em campo e fora dele – com tratamentos, treinamentos específicos intensivos e todo o resto – para se manter em nível competitivo e sempre entra em campo com vontade de vencer, seja lá a camisa que defenda.
 
Tirando 100 ou pouco mais brasileiros muito bem pagos, ficamos aí com milhares de jogadores profissionais assalariados, buscando lugar ao sol, dando um duro danado. E por vezes, como é o caso de Valdomiro, sequer recebendo.

Depois, no mesmo depoimento do zagueiro, Valdomiro aponta a omissão do cartola, que nunca aprece no Centro de Treinamento.
 
Os cartolas, presidentes de clubes e seus cúmplices, não gostam do jogo, da bola rolando, da emoção das partidas. Estão interessados em outra bolada. Quase sempre. Não estão nem aí se o clube cai de divisão ou tem seu patrimônio ameaçado. Dilapidam, vendem o patrimônio, jogam a tradição no esgoto. Não se entristecem quando o time vai mal. Não são apaixonados pelo esporte. Amam só o brilho das pratas que escorrem das torneiras desse negócio chamado futebol. Eu gostaria de citar exceções. Mas aqueles que são exceções não vão se sentir ofendidos.
 
Já há algum tempo a mídia de maneira geral vem batendo na mesma tecla. Já faz anos que o futebol brasileiro não brilha. Tirando a Copa das Confederações – competição que reuniu um amontoado de seleções decadentes ou em formação – o Brasil não fatura nada há muito, muito tempo. Foi uma vergonha anunciada na Copa do Mundo em terras brasileiras. Há muito tempo não tem um jogador entre os três melhores da Bola de Ouro da Fifa, está em quarto lugar sul-americano Sub-20 (atrás de Argentina, Uruguai e Colômbia) e nossos melhores jogadores só conseguem mercado na China!!
 
Mas isso não parece alertar os nossos dirigentes, porque, como expliquei, eles não estão nem aí. Enquanto houver chance de ganhar algum, nem que seja na China, estará tudo bem para a cartolagem.
Uma pena.
 
Meu amigo Paulo, da Panetteria di Capri, ardente torcedor da Lusa, vai continuar indo aos campos acompanhar apaixonadamente seu clube. Porque ele sabe que, apesar dos Ilídios, ainda existem Valdomiros espalhados por aí. São eles que podem redimir o nosso futebol e manter acesa a nossa paixão quando trila o apito do árbitro para mais 90 minutos.

por Nilson Ribeiro - Campinas
http://www.futebolinterior.com.br/opiniao/Nilson-Ribeiro/2015-02/Futebol-Brasileiro-precisa-da-paixao-dos-Valdomiros-

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